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Data & Hora

  • 1 fevereiro a 31 março 2026

Local

  • Vários, Cantanhede
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Descrição

O Município de Cantanhede tem vindo a desenvolver um trabalho parcimonioso de recolha, valorização e promoção do património cultural material e imaterial da nossa região. A construção pública, coletiva e participada da história contemporânea do concelho de Cantanhede é, sem dúvida, fundamental para prevenir o desaparecimento de recordações históricas da comunidade.

A face mais visível deste pilar estratégico tem sido o projeto “Traçar a Memória”, iniciado em 2001, cujo propósito passa por constituir um arquivo de documentos diversos (cartazes, textos, recortes de imprensa, plantas, mapas, fotografias, filmes ou vídeos) que reportem a realidades locais de outras épocas, suportado na recolha audiovisual de testemunhos orais de munícipes seniores como suporte narrativo a essas dinâmicas das comunidades.

Por outro lado, também a exploração dinâmica deste potencial histórico, cultural e artístico se revela pertinente para manter vivos conteúdos que constituem um legado para as atuais e futuras gerações na sua diversidade. E é precisamente neste contexto que o Município de Cantanhede criou o projeto “Gente da Nossa Terra”.

Este projeto tem como propósito primordial promover o reconhecimento local, regional, nacional e internacional, na vertente histórica e/ou artística, de personalidades marcantes, sublinhando os seus percursos, carreiras e influências, bem como consolidar, potencializar e expandir o impacto das suas obras no desenvolvimento cultural para e com a população, de forma fundamentada, sustentada e diferenciadora. Nesta abordagem, é importante não só recordar, valorizar, explicar, mas também inspirar, (re)interpretar, adaptar, relacionar para chegar a diversas gerações e comunidades.

Este projeto comporta uma programação multidisciplinar, por norma com duração bimensal, suportada em diversos eventos dedicados / inspirados a cada personalidade marcante na história e património material e imaterial da região, de forma abrangente, pedagógica e criativa. A consolidação do seu legado, bem como a sua interpretação e inspiração para as atuais e futuras gerações da nossa comunidade é, sem dúvida, a base comum das várias iniciativas constantes da programação elaborada.

Após as edições dedicadas a Carlos Garcia, Jaime Zuzarte Cortesão e António Taboeira, desta vez Maria Amélia Magalhães Carneiro será a figura em destaque, com enfoque na consolidação, (re)interpretação e inspiração do seu legado, através do usufruto, projeção e exploração das suas obras, nomeadamente na pintura, bem como na relação com outras expressões artísticas e culturais.

Como é habitual nas edições do projeto “Gente da Nossa Terra”, o Município de Cantanhede terá como parceiros diversas entidades e agentes culturais da região, para além das juntas de freguesia e serviços do Município, com abordagens nas áreas de cultura, património, educação, turismo, etnografia, associativismo, ação social, recursos naturais, desporto, entre outras. A programação elaborada irá contar com iniciativas multidisciplinares que decorrerão em vários pontos do concelho de Cantanhede, em fevereiro e março de 2026.


Recorde-se que Maria Amélia de Magalhães Carneiro (1883-1970) se destacou como artista plástica, pintora da aldeia portuguesa, tendo encontrado no mundo rural os temas que mais a fascinaram – as gentes, os interiores, as paisagens, a faina agrícola. No concelho de Cantanhede, onde residiu durante de 1913 a 1941, retratou, com pintura ao ar livre, especialmente as aldeias gandaresas, focando-se nos rostos, trajes típicos, interiores das casas rústicas e seus pátios, paisagens, caminhos, campos, eiras e faina agrícola. 

Vários locais de Pocariça, Cadima e Varziela inspiraram uma parte substancial das suas telas, pintadas a óleo ou desenhadas carvão e sanguínea. Dedicou-se também ao ensino artístico, organizando cursos de desenho e pintura na Pocariça, Cantanhede e Coimbra, ensinando cerca de 70 alunos, entre os quais o escritor Carlos de Oliveira e as pintoras Maria Augusta Almeida Galvão e Maria da Conceição Duarte Reis.

A sua casa-ateliê foi, de facto, a primeira escola de arte do concelho de Cantanhede. Formada na estética naturalista, no atelier-curso de Júlio Costa e na Academia Portuense de Belas Artes, no Porto, tendo sido uma das primeiras mulheres a frequentar esta instituição, participou com destaque, entre 1910 e 1960, em várias exposições individuais e coletivas em vários pontos do país. 

O seu legado artístico e pedagógico é particularmente relevante para o concelho Cantanhede, onde foi homenageada com uma exposição em 2003 e com a atribuição do seu nome a uma rua da cidade no ano seguinte.


Contactos

  • Promotor: Município de Cantanhede