O Executivo aprovou na reunião camarária desta terça-feira, 6 de outubro, a versão final da Carta Municipal de Habitação de Cantanhede, depois de concluído o período de consulta pública. Segue-se a apreciação e votação deste documento pela Assembleia Municipal, órgão a quem cabe aprovar a Carta Municipal de Habitação, sob proposta da Câmara Municipal, bem como a declaração fundamentada de carência habitacional, que habilitam o Município a recorrer a instrumentos adicionais de intervenção, designadamente o reforço de áreas destinadas a uso habitacional nos instrumentos de gestão territorial, o condicionamento de operações urbanísticas privadas ao cumprimento das metas habitacionais definidas na Carta, para habitação permanente e a custos controlados, e o exercício do direito de preferência, com vista ao reforço da resposta habitacional local.Recorde-se que a Carta Municipal de Habitação de Cantanhede foi desenvolvida em cumprimento do disposto na Lei de Bases da Habitação, estruturando-se em torno das quatro componentes obrigatórias previstas na lei - diagnóstico, recursos, prospetiva e estratégia -, e tendo como suporte indicadores estatísticos da base de dados do INE, visitas ao território, entrevistas com os presidentes das Juntas de Freguesia do Município e uma reunião final com a equipa de acompanhamento e o Executivo Municipal.“Mais do que um documento de diagnóstico, a Carta deve servir para transformar necessidades identificadas em objetivos, medidas, prioridades e investimentos concretos, contribuindo para uma política de habitação mais justa, integrada e sustentável”, justifica a presidente da Câmara Municipal, Helena Teodósio, adiantando que a conjugação deste instrumento com a Estratégia Local de Habitação “reforça a coerência da política municipal neste domínio, bem como a capacidade do Município para garantir uma resposta adequada às diferentes necessidades habitacionais da população”.A Carta Municipal de Habitação de Cantanhede parte de um diagnóstico que, entre múltiplos aspetos, aponta para um mercado de arrendamento com oferta insuficiente e uma procura crescente, associada à dinâmica económica e aos fluxos migratórios do concelho.Com base nesta análise, foi elaborada uma estimativa global das necessidades habitacionais do concelho de Cantanhede para o período 2026-2035, articulando a evolução da procura com o contributo potencial do parque habitacional existente.As necessidades globais de alojamento para o período em análise estimam-se em cerca de 1.262 alojamentos, integrando situações de carência habitacional, formação de novos agregados e atração de novos residentes. O exercício prospetivo aponta para diferentes formas de resposta a estas necessidades, incluindo a mobilização do parque habitacional existente, através de reabilitação, bem como construção nova.